sábado, 20 de fevereiro de 2010

MEMÓRIAS DE UMA CONSTRUÇÃO

Já disse (muitas vezes até) que este ano vamos começar a construir, certo? E vamos (Dá licença Prefeitura. Dá licença, engenheiro).

Pois é, mas essa não é a primeira viagem mágica ao mundo dos tijolos e cimentos que maridão e eu fazemos. Já conhecemos o lado escuro da força, ou seja: A REFORMA! A casa que tínhamos antes e vendemos, quando nós a compramos parecia casa de filme de terror. Então, fizemos uma reforma radical, RAAADDICALLLL, e ficou linda! (Modéstia a parte). Pena eu não ter fotos do "antes", mas do depois, posso mostrar algumas:



A primeira foto, a visão da parte de trás, a segunda, a porta de entrada. Na frente tinha um jardinzinho com caminho de madeiras muito gacioso. A terceira foto foi uma invenção de meu marido que ficou maravilhosa. Ele fez (Ele mesmo, sem marmelada) uma pequenino espelho dágua. Tinha umas carpas e um peixe japonês que viviam muito felizes ali. Havia uma queda dágua que era bastante agradável de se ver e ouvir. Olha como o dinheiro em penca ficou lindo como forração, não? Ficava no cantinho do jardim da frente da casa, ao lado da rampa da garagem. Ai, que saudade! Vou ter outro, claro! Maridão faz...
A reforma de nossa casa pode ter custado caro no Mastercard, mas a experiência que ganhamos, ah, essa não tem preço!
Vamos enumerar as tragêdias construtivas, para depois falarmos da vastíssima experiência:

1. A cozinha desta casa tinha um sistema hidráulico horrível. E tinha também uma encanação que levaria a um possível filtro, mas que não usaríamos porque colocaríamos armários. Então, dissemos ao pedreiro o que queríamos, pedindo para melhorar aquilo. E, tharam! A única coisa que ele fez foi tapar a encanação do filtro e fechar a parede, inclusive colocando a cerâmica novinha. Conclusão: tivemos que fazer mágica para colocar os armários, já que tem cano pra todo lado naquela parede. Ai, Jesus!


Essa era a minha cozinhazinhazinha. Para se ter uma idéia, suporte de ganchos, porta-papel e porta utencílios ficava pregado não na parede, mas no armário, porque na parede não tinha jeito. Na terceira foto dá pra ver um pouco.
2. O banheiro da casa valia por dois. Em tamanho? Não, em gasto com revestimento. A cerâmica era bem grande e, apesar de ser de altíssima resistência (agora me fala quem ia andar pelas paredes, pra eu comprar uma cerâmica dessas? Seria o banheiro do homem-aranha?), muitas, mas muitas, mas muitas peças mesmo, foram quebradas, ou pior: cortadas errado! Viche.
3. Temos o caso da bendita faixinha do banheiro. Claro, foi colocada mais alto do que eu queria!
4. O caso do rejunte também foi excelente! Eram três rejuntes: um verde para o banheiro, o branco para as paredes da cozinha (veja nas fotos que a cerâmica era branca com detalhes) e um bege para o chão da cozinha, por causa da cor da cerâmica. Maridão explicou, explicou, explicou, explicou, explicou. Perguntou se estava tudo certo, repetiu... Mas, claro, o rejunte branco foi usado no banheiro e, graças a Deus, cheguei a tempo de impedir o rejunte verde nas paredes da cozinha. Mas quase que não dá, viu?! Ele já estava com o serviço sendo iniciado. Então, o rejunte verde preparado foi pro lixo. O resto, teve que ser trocado no depósito. E, por falar nisso, fica aqui meu protesto registrado contra as tintas para rejunte! Ou eu dei azar (apesar de ter comprado a marca recomendada) ou a coisa é um lixo!
5. As janelas da casa foram feitas com uma profundidade especial. Mas quando chegaram... a profundidade não era aquela. E, adivinhem: o erro não foi da madereira. Então, no improviso, foram feitas espalas brancas para consertar o problema. Olha lá na primeira foto. Admito que ficou muito bonitinho, afinal de contas. Mas... e se não ficasse? Coisa de improviso.
6. Contratamos um excelente (e aqui não vai ironia, porque o cara é bom mesmo) profissional que faz tudo, para fazer os acabamentos externos. Pra melhorar a coisa mesmo, é nosso parente. Explicamos tudo o que queríamos, detalhadamente. Foi tão fraterno o entendimento. Entre sorrisos e alegrias, tudo combinado. Preço combinado, tempo estimado, início marcado. Tudo muito bem, tudo muito lindo, mas eis que a frase: "Isso nós não combinamos" começou a ser ouvida com muita frequencia pelo maridão. Por ser parente, larga-se pra lá aqui, deixa-se de lado ali... E no final, um monte de coisa combinada, claro que aqueles detalhes que tanto queríamos, não foram feitos. Detalhesinho aqui e ali que fazem a gente ter vontade de chorar.
7. A mão de obra que combinamos no caso acima foi combinada sem que nem meu marido e nem eu fizéssemos qualquer choramingo. Não pechinchamos, não argumentamos, não palpitamos. O preço foi dado, podíamos arcar com ele, parecía-nos justo e... depois da obra, por ser parente, começou-se um burburinho sobre "como-estávamos-pegando-o-boi-pelo-preço-minúsculo-da-mão-de-obra" pelas casas de outros parentes. E isso chateou muitíssimo meu marido, em primeiro lugar por causa da conversa desnecessária sobre nossa vida com outras pessoas. Em segundo lugar, porque se havia alguma insatisfação, deveria ter sido conversada conosco!
8. Ao iniciarmos esta mesma obra de acabamento externo (ê danada), notamos que certas coisas combinadas, pedras no chão por exemplo, foram executadas por outras pessoas. "Terceirizados". Então, será que esses "terceiros" não tinha seus próprios preços, de maneira a compensar chamá-los ao invés de fazer o serviço por própria conta?
9. Algumas "coisinhas" foram deixadas para depois. Algumas inclusive são da lista do "isso não foi combinado". Pensamos: Isso é moleza de fazer depois. Coisa boba. Deixa que depois termina. Acreditem: vendemos a casa alguns anos depois dessa reforma e as coisinhas sem fazer ficaram mesmo sem fazer.
10. Verdade seja dita: algumas das coisinhas citadas acima nós procuramos fazer. E um profissional para começar a coisa e ver se a gente animava, sabe? Então, fizemos a maior de todas as burradas da face da terra: pagamos adiantado. Conclusão: estas coisinhas entraram para a lista de coisinhas que nunca foram terminadas.
11. Eu amava esta casinha. Muito mesmo. Mas eu tinha muita tristeza quando olhava para aqueles cantinhos "agora deixa assim mesmo porque não temos dinheiro para refazer". E devo dizer em defeza de meu marido caprichoso que essa frase foi muito dita por mim. Perdi preciosos minutos de vida contemplando entristecida os cantinhos da vergonha. E afirmo com segurança: certas coisas não tem preço!
12. Meu marido e eu embarcamos em certos: Eu acho, dos pedreiros. E aí também, perdi uma porcentagem de minha vitalidade.
13. Outra maravilhosa pérola é: "Faz com esse que dá no mesmo. A diferença é só o preço"

Então, vamos às LIÇÕES:
1. Jamais, jamais, jamais, jamais coloque todo o serviço na mão de um único profissional. Por melhor que seja, é muito difícil (para não ser radical e dizer impossível) achar alguém que faça todas as coisas com perfeição. E, acredite: não sai mais barato. E caso pareça que vai sair, no final das contas, a diferença com certeza vai ser pouca, não compensado a qualidade do serviço depois. Cada macaco no seu galho! Essa é a mais precisa das lições.
2. Se possível, não combine apenas de boca a boca o serviço. Tudo bem que talvez não seja necessário lavrar em cartório ou perante um advogado, mas pelo menos uma anotação, é bom fazer. Com detalhes e tudo o mais. Aí, da-se uma cópia xerox para o pedreiro, apenas para deixar claro que você também tem uma cópia e sabe o que foi combinado. Isso pelo menos, evita certos aborrecimentos.
3. Não combine nada depois. Antes, e com tal zelo e sempre e tanto (Coube aqui um momento poético. Dá-le Vinícius) combine preço, detalhes, prazo. Na minha obra vou colocar um cartaz: "Depois a gente vê e Depois a gente combina" são frases proibidas aqui. Rs
4. Evite contratar parentes. Pode estragar relações maravilhosas, desnecessariamente. Toda obra gera um extresse muito grande. Melhor não misturar as coisas.
5. Pelo menos onde moro, os pedreiros não gostam muito de combinar com mulheres (eita machismo ordinário). Então, se tiver um marido: use-o descaradamente. Seja a parte gentil, se possível. Leve bolinho, elogie. E peça ao marido para se entender com o pedreiro naquilo que não gostou. Acredite, eles se entendem. Bem, mas se não tiver marido, então revista-se de seu lado persuasivo e vá em frente!
6. Visite sua obra. Se possível, um milhão de vezes por dia. Se não, faça o que puder. Se for possível tirar férias para acompanhar, melhor. Evita a síndrome-do-desmanche-do-serviço-que-já-até-secou-e-vai-ficar-caro-refazer. Evita desperdício e a coisa anda mais rápido. É o olho do dono que engorda o boi mesmo.
7. Explique tudo muito bem explicado. Se possível deixe anotado. Tipo coloque no saco do rejunte uma placa com letras garrafais: Este rejunte é da parede da cozinha! Se a cerâmica forma desenhos, faça um exemplo para o pedreiro seguir. Mostre para ele. Tente fazer tudo com bastante carinho, para não melindrar a criatura, que afinal é um ser humano. Eu pretendo fazer uma parede de mosaicos de azulejos antigos na cozinha. Vou arrumar uma maneira de numerá-los, com alguma coisa que lavando sai depois. Farei um esquema no computador... Qualquer coisa!
8. Evite economias "porcas" se informando sobre os materiais e seus "genéricos".
9. Se algum serviço ficou errado e consertar vai fazer um rombo no orçamento que vai atrasar toda a obra e gerar dívidas que não podemos arcar com elas: Conserta assim mesmo, amor! Escuta, qualquer coisa é melhor que as olhadinhas no cantinho da vergonha. Até pagar empréstimo é melhor. Todo empréstimo um dia acaba.
10. FAÇA AS COISINHAS. Mesmo que sejam bobinhas, coisa pouca, moleza, tranquilo... Se é assim faz agora. No calor da obra.
11. "Deixe isso pra lá" e "Vai assim mesmo" - NÃO. NÃÃÃÃOOOOOOOO!
12. É sempre válido e saudável ouvir opiniões. O problema está em acatá-las sem ponderação madura e discernimento. Muitas vezes a frase: Eu acho que assim vai ficar melhor está alicerçada na experiência do profissional. Mas muitas vezes ela poderia ser substituída pela frase: Do outro jeito dá muito trabalho e gasta muito tempo, então me poupa, dona!
Agora, não estou me lembrando de mais nada. Depois eu posto mais se lembrar. Mas essas aqui, valem por um bifinho, eu garanto.
Então, que fique registrado!

1 comentários:

Gisa W. disse...

Nossa já tem 1 ano e meio desse post e eu só achei hoje....e me ajudou a entender o meu setimento por algumas "cagadas" na minha obra. Além dos alertas serem válidos para evitar outros!!!!!!Muito bem escrito.Bjus....